Em 2008, a partir de oficinas oferecidas pelo programa Arena da Cultura, da Fundação Municipal de Cultura (FMC) de Belo Horizonte, iniciei uma pesquisa de criação e dramaturgia em dança, com aproximadamente 20 participantes, com idades variando de 45 a 85 anos. As oficinas aconteceram em um galpão do Lar São Vicente de Paula, no bairro das Indústrias. Todos os participantes residiam neste bairro, que é bastante afastado do centro da cidade.
Ao final de um semestre de pesquisa, apresentamos um pequeno trabalho coreográfico, intitulado "Aquela Infância...", pela relação da dramaturgia com as lembranças e memórias afetivas dos participantes. Este trabalho foi apresentado na Mostra 10 anos Arena da Cultura.
Com a paralização do programa Arena da Cultura, em 2009, as oficinas deixaram de ser realizadas. Porém, os participantes, entusiasmados com as ressonâncias da arte e cultura nas suas vidas, me procuraram para alguma articulação política, pensando em dar prosseguimento a pesquisa cênica.
Através de encontros e reuniões informais, criamos o grupo de dança Terceira Dança - dramaturgia e criação em dança para a Terceira Idade, com o intuito dar prosseguimento a pesquisa, via editais público de formação, capacitação e fomento às artes. Em 2010, o projeto foi contemplado pelo programa Território Minas, que faz parte da programação do Fórum Internacional de Dança (FID).
Durante 03 meses, tivemos subisídios para a continuidade da pesquisa, com contratação de professores de dança e músicos, para a elaboração de um novo trabalho coreográfico.
Os parceiros nessa caminhada, os artistas Fábio Dornas e Karina Collaço, também foram professores do programa Arena da Cultura e deram todo o suporte nesse processo de autonomia e autogestão do coletivo que, atualmente, vem se destacado no cenário artístico pela investigação e envolvimento com uma linguagem contemporânea de dança, em corpos idosos.
Terceira Dança se interessa na elaboração de uma prática e criação em dança que conceba o corpo do idoso nas suas diferentes posssibilidades, na construção de uma dramaturgia que acolha a memória e história desse corpo. Assim, o grupo, assume uma poética do corpo concebido sem formatação prévia, ou disciplinamento pelas técnicas tradicionais em dança, efetivando, desta forma, a negação de padrões corporais para o fazer artístico, em uma concepção contemporânea de arte. Explicita, desta forma, que a dança pode ser produzida por qualquer um que a deseje e se empenhe nesse fazer artístico.
(http://terceiradanca.blogspot.com)








